domingo, 21 de agosto de 2011

O dificil é começar!

Quando casamos, eu ganhava a trabalhar em part time, 370€ limpos ( às vezes com as gorjetas ia para o dobro - tempo das vacas gordas!). O combinado era eu não pagar nada, apenas as minhas despesas, no entanto não podia gastar dinheiro nenhum do dele, nem pedir emprestado para nada. A questão é que chegava hà 2ª semana do mês e eu já andava desorientada com a conta quase a zeros. Ele era o cabeleireiro, ele era o ir almoçar fora pelo menos 2 vezes por semana com as amigas, ele era chegar ao roupeiro e não ter espaço para arrumar mais umas meias que fossem e ainda queixar-me que não tinha roupa nenhuma e o mesmo se seguia com os sapatos, ele era perfumes e cremes, enfim...um mundo de despesas "obrigatórias" e às quais eu definitivamente não tinha como cortar... A verdade é que volta e meia questionava-me, como é que haviam familias que viviam com pouco mais que isso, com todas as despesas inerentes à gestão de uma casa, algumas até com crianças, e jurava que apartir dessa altura ia poupar mais um pouco e viver mais desafogada, mas entretanto lá conseguia sobreviver até ao final do mês e a cena voltava a repetir-se tal e qual!
Até que certo dia vi uma reportagem na RTP exactamente sobre isso...uma senhora viúva, com um filho de 8 anos que vivia com um rendimento de 280€, em que 120€ iam logo para a renda. Foi o ponto de mudança! Nesse mesmo instante propus-me que no mês seguinte iria gerir todas as despesas da casa ( excepto a prestação), apenas com o meu ordenado. É aqui que começa a planificação...é obrigatório! Eu arranjei um envelope para cada despesa obrigatória e por fora coloquei a descrição. Assim que recebi o meu  ordenado, levantei-o na totalidade e distribui-o pelos respectivos envelopes ( água, luz, condomínio, empregada limpeza, telemóveis, mercearia, etc) Para mim foi mais simples levantar o dinheiro todo no final do mês e gerir o dinheiro palpável, o cartão multibanco, dava-me uma sensação maior de liberdade e consequentemente mais probabilidade de falhar!
Ou seja, para ir ao supermercado, eu elaborava a minha lista, fazia um cálculo +/- aproximado do valor que ia gastar e levava um valor ligeiramente acima do que tinha calculado, assim quando estivesse a fazer as compras com o dinheiro "contado" sabia que não me podia esticar muito ou corria o risco de não ter comigo dinheiro que chegasse e passava uma vergonha monumental! ;)
Quando cheguei ao final do mês tinha ultrapassado o meu orçamento em 43€, mas de facto, não podia ter feito de maneira diferente, tinha sido muitissimo mais conscenciosa e sensata em relação ao meu dinheiro e isso dava-me uma sensação de dever cumprido!
Como é que era possível eu ter tido 2 meses seguidos com ordenados iguais e ter gerido de maneira tão distinta!!?? Os meses que se seguiram, levaram o mesmo rumo, até os envelopes eram os mesmos (para poupar!
Elabore um plano sensato, estabeleça objectivos concretos, não adie! Tenho para mim que poupar é como que um vício uma vez que se começa, apanha-se o gosto, e entretanto fui-me aperfeiçoando e limando arestas de forma a não ter de abdicar de um bom estilo de vida e a privar-me das coisas que gosto, apenas estabeleço regras e prioridades!

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